Uma figura muito bem desenhada por uns, ou melhor, transferida do campo social de modo singular para as canções. Vista pela maioria como um ser dotado de requebrados baronis, dotada de uma sensualidade exemplar. Será és?
De onde vem isso? Será de uma herança totalmente preconceituosa? Quem explica isso?
A posição da negro no Brasil não é uma das melhores, como todos já sabemos, assim espero. Porém vou me restringir falar do papel mestiço, e principalmente, da morena na sociedade.
Qual é a primeira imagem que se tem da MULHER e MORENA? Alguns vão pensar na dançarina de samba, ou aquela, como já disse, "dotada de uma sensualidade exemplar".
São elas, frutos de uma mestiçagem, que deveria dizer, é a constituição de uma identidade nacional. Furto a fala de José Carlos Ruy quando digo: "A mestiçagem é sinônimo de democracia racial?". Será que realmente acontece dessa forma?
O mais interessante como essa "ideologia" é transplantada para repertório musical, de forma tão maciça. Falar da morena na música é por-la em uma patamar, totalmente, idealizado. Como a mulher da natureza, companheira do mar e dos animais. Até mais idealizada que as senhoras do Romantismo ou do Arcadismo. Como é impressionante!!!
É incrível ver, como eu, uma mulher, morena, sou reduzida a um protótipo. E como esse protótipo é tão bem vendido, e está ai, nas rádios todos os dias.
Finalizo, aqui, com uma poesia, que o autor pouco interessa; mas acho que mostra essa loucura ao se falar desse indivíduo. Advirto, a vocês, queridos companheiros de oficina, sobre a importância deste assunto.
Tantos dizem sobre a morena.
Símbolo da sensualidade brasileira.
De requebrados e falácias.
Mas o que sou eu?
Senão uma morena sem cor.
As vezes sem requebrados baronis.
Falta-me o encanto da raça,
o foco da luz.
Busco a serenidade,
invés da sensualidade da cor.
Busco o pensamento,
invés o protótipo.
Busco um príncipe,
que se encante mais por meus objetivos.
Do que por meus olhares diferentes.
Meus olhos são mais que raros, mel.
Representam o que sou,
meu pensamento.
Dizem que sou morena,
brasileira.
Eu digo:
Dissimulada e oblíqua.